sexta-feira, Dezembro 02, 2005

Manecas Costa, o Paraíso do Gumbé






"My poems are real stories, or observations. They are simple lyrics, with priorityÊon love, children and frequently with a social vision."


A time-served leading multi-instrumentalist from Guinea Bissau

Guitarist extraordinaire and pivotal figure in the PALOP Africa! recordings. In his native Guinea-Bissau he is considered a musical ambassador due to his skills as a musician and as an interpreter of tradition.
Born in Cacheu, Guinea Bissau in 1967. He started his musical career at the ripe old age of nine, forming Africa Libre with his friend Nelson Costa. Within its first two years the band performed in the national festival of contemporary African music. The audience response to this prodigious new talent led to the launching of Manecas Costa¥s musical career.
The seventies saw Manecas playing with all the great bands in Guinea-Bissau, including N'Kassa Cobra, Cobiana Djaz, Mama Djombo and Kapa Negra. His work with Mama Djombo took him to Cuba to play with the legendary Orquestra Aragon.
By the turn of the 80s he had established himself as an excellent bassist recording with artists such as Ze Manel. So it came as a surprise when he started to develop his own singing and composing, winning a UNICEF prize in an international radio contest in 1987. His lyrics deal with the situation for Guinean women and the third world in general.
The nineties were years of travel with tours of Angola, Cape Verde, Italy and Portugal often acting as a cultural ambassador for his native Guinea Bissau. His visit to Portugal became permanent when he emigrated after the tour.
It was in Lisbon that he recorded his first solo album Mundo di Femea - a project featuring some of Palop Africa's leading musicians including Paulino Vieira and Eduardo Paim. It also saw him reuniting with his old friend Nelson Costa.
Mundo di Femea showcased his burgeoning talent as a guitarist, arranger and producer. These skills would enable him to collaborate with many artists such as Paulo Flores, Tabanka Djaz, Bius, Waldemar Bastos and Astra Harris. His latest album Fundo di Mato is a tour de force of acoustic and electric, traditional and modern - wider success is only a short time away.

"My musical ambition is to go beyond frontiers."

2003 foi o ano internacional de Manecas Costa.
Apareceu na capa da “bíblia” Folk Roots (edição de Julho) e esteve com “Paraíso di gumbe” na lista dos 20 melhores discos desse ano. Álbum gravado na Guiné Bissau e editado pela etiqueta do programa “Late Junction” da BBC Radio 3. A produzi-lo esteve a experiente Lucy Duran, autora de um outro programa desse canal, “World Roots”, que contou com a ajuda dos engenheiros de som Jerry Boys.

A viver há treze anos nos arredores de Lisboa, Manecas Costa sente-seamargurado com a falta de interesse dos média e do público em geral que têm ignorado a sua repentina ascensão internacional. Além disso, o disco “Paraíso Di Gumbé” mal se vê nas lojas. E de concertos, nem se fala.

2004 reserva-lhe apenas uma actuação (em solo português) no "Rock In Rio".

Entrevista

Falámos com Manecas Costa num ensaio de preparação para uma digressão em Espanha, o Retorta <http://retorta.typepad.com/> fotografou a bandaguineense.

Apesar da sua pequena extensão de terra, a Guiné Bissau possui uma culturamusical muito diversificada, derivado das várias etnias que lá habitam.
No entanto, há uma identidade nacional comum que trespassa toda a sociedade: o gumbé. O que é para ti o gumbé?

O gumbé é a forma de todas as etnias da Guiné Bissau se encontrarem. Está para a Guiné Bissau como o reggae para a Jamaica. A história diz que os
escravos jamaicanos trouxeram-no para cá.
A Guiné tem praticamente uma mistura de estilos.
Temos na Guiné praticamente tudo o que o Mali divulgou -djembe, kora, toncoro. - porque existe etnia muçulmana na Guiné Bissau(Mandingas, Fula). Isso fez com que a próprio músico da Guiné Bissau sinta uma mistura enorme.
Na altura do projecto África Livre, já tocava músicas que têm a ver com o Senegal, com a Guiné Conacri. Coisas que ouvíamos narádio. Bissau foi muito influenciado pela Guiné Conacri.

Na altura da guerra, o país sempre sofreu com cortes de energia. Apesar dos portugueses terem levado gira-discos, quando faltava luz, se estávamos num baptizado, num casamento ou numa reunião de amigos, tínhamos de inventar algo. Cortávamos um barril de vinho ao meio púnhamos água e a cabaça e continuávamos a festa.
Não precisavas da energia eléctrica, apenas de umas velas para ter o espaço minimamente iluminado. É a luta do gumbé com o gira-discos.

É natural que se tenha tornado moda. A cabaça (tina),acompanhada de palmas, começou na cidade e a estender-se para o meio rural.
Quando um Balanta toca broska sentes o gumbé e a marcação. O gumbé acaboupor ter influência nos estilos mais rápidos.
Foi a consequência de naquela altura não se poder cantar em crioulo. Era proibido. Foi uma luta de querer mostrar aquilo que era nosso. Vem premiar o José Carlos Schwartz, elogiar a coragem de valores como Ernesto Dabo, como Diogo Castro Fernandes. Eles é que incentivaram que era importante cantar numa língua nacional. Havia música mas não havia coragem de se fazer essa música. Tínhamos de ouvir fado, Beatles, etc.


O teu ensino de guitarra foi autodidacta e através de imitação de acordes das músicas que tocavas na rádio. Que músicas eram essas?

Tudo isso que estou a dizer. Fado, Beatles.
Tínhamos uma rádio que emitiapara todo o país. Era uma forma de nos fazer chegar tudo o que era bom oumau. Não havia televisão, não havia nada. Essa rádio era uma forma de nosestarmos em contacto com o mundo.
Mal vínhamos da escola, eu e o meu irmão íamos para ao pé do rádio e ouvíamos de tudo. Discos pedidos, etc.

“Paraiso Di Gumbe”, além de mostrar composições modernas, procura a purezados ritmos de Bissau. É também uma espécie de álbum de recolha. Daí ter sido fundamental gravar na Guiné Bissau?

O país tem uma cultura diversificada, muitas etnias, muita música. Cada etnia tem a sua forma de estar, a sua língua, o seu instrumento. Só temos que aproveitar a riqueza de cada etnia.
Com “Paraíso Di Gumbe”, quis ir buscar várias formas de tocar de cada etnia. Os tambores que utilizei, não se encontram em lado nenhum. São tambores da Guiné: Sabaró, Kutiriba, Bombolom, Droma. Os temas que têm mais a ver com aquele ambiente humano, sem a cadência metrónoma. O importante era deixar a música correr.
Este disco pretende acordar as pessoas. Quero mostrar o país que existe.
Deu-me um orgulho imenso gravar na Guiné-Bissau, por ser a primeira pessoa a trazer um estúdio móvel e a gravar no país. Espero abrir mais portas porque existem mais Manecas na Guiné Bissau.

“Paraíso Di Gumbe” une também diferentes etnias como a Manjak e a Balanta(da qual tu pertences). Que diferenças existem entre ambas?

O Manjak é mais voz. É do norte do país. Gumbe era cantado mais para pessoas que iam à missa e já tinham a noção do que era um gira-discos.
O Manjak identifica-se mais com o tambor de água, com palmas.
O Balanta identifica-se mais com o corno. Celebra-se o carnaval todos os dias. É a nossa forma de estar. Vais a uma festa de broska e vês as pessoas a cantar alegremente, com guitarra na mão. Isto simboliza alegria, fim do colonialismo, do medo.Implica irmandade, amizade, namoro. É muito da forma africana de comunicarque não é conhecida.

A entrevista integral em
http://cronicasdaterra.weblog.com.pt/arquivo/098914.html#more

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