terça-feira, março 27, 2007

Jogo Amoroso


Quando te vi frustrante
no écran do meu peito

protestante

o ponto de fuga com fundos
em quadradinhos projecta
um corpo que balança
numa mística dança

balanta

o tum-tum do tambor coroa
o majestoso perfil de atleta
numa pista

deslizante

em que o teu gesto se levanta
acrobático em bambu
a declamar
a tua firmeza de onça

quando estás atrapalhada
sinto a tua garra a massajar
o fio da ignição
que dentro de mim
repousa

relaxante

e despoleta
o lobo vático
numa explosão de intemperança

estrela

posa bela
para este peito-objectiva
com aquele teu olhar

catita que encanta

cativante


13.04.04

Adão Quadé



é desgracioso esquecer-te
naquela manhã de nevoeiro
em que acordaste

no meu peito sem jeito de obreiro

senti o teu cheiro pós-natal
inebriei-me desnorteado
os passos me desfaleciam

e achei-me mais animado

sou tão ingénuo. afoguei

nos contornos do teu carinho
como que criança numa baloiça

encontrei o meu caminho

e num cadinho peço o vinho
e o sabor é todo a tua fragrância
inspiro-me nos teus olhares de queijo

e perco toda a ganância

sou um simples pastor

deixo-me guiar pelas tuas pegadas
não me importa a luz do dia

as tuas pernas são esplêndidas e radiantes
posso perder o voo a descortinar

o enigma do teu calcanhar descolante

como o flamingo a festejar
o sucesso de uma madrugada chuvosa
levo comigo a areia do solo

que tu pisaste naquela manhã chorosa

01.04.04
Adão Quadé

quinta-feira, março 15, 2007