sábado, dezembro 05, 2009

Engomadeira
exercitando
o contorno da nádega

Na antecipação
da execução
do corpo da música

Emaranhada
em lianas de ritmo
da dança
inconcebível


na harmonia da luz interior
um retelho de lua
na mesa da madrugada efervescente

a lisura da alma
ondulação tranquila da mão macia
no leito da ignição motora
do orvalho
encandecente

*****

uma música indecifrável
no alto de um bairro intransponível

já fui rei numa noite infindável
coroada de loucuras e fantasias

fui sim mais que real surreal
transitando na órbita
da melodia
melancólica do fumo
etílico

ressuscitei neófito
com bengala mágica
da autoflagelação do espírito frontal

preciso silêncio na hora fatal.
música...aurora...carnaval!

04.12.09
A.Quadé

quarta-feira, abril 29, 2009

Mulher da Guiné

Intimas o espaço

frondosa palmeira verde

desafias o arco-íris

nas tuas cores

de mulher

caminhas suave

navegando

em estradas

de nenufares



Mulher da guiné



amendoinha, fole, manga da terra

cabaceira, abacate, goiaba, veludo

- os sabores dos teus lábios



Mulher da guiné



mimoseas o andar

como o canto de uma voz eunucua

coqueiro balouçando ao vento

perfume de terra molhada

beijando a esplanada de areia branca de varela



sorriso brando

corpo ébano

suando a maresia

és tu Mulher da Guiné



marcam-te o espaço na órbita

das três pedras do fogão

nos circuitos da lenha

no vai-vem da fonte

de-balde-em-balde

nos labirintos esquecidos da cozinha

querem-te domesticamente adormecida



mas

segue os acordes

das melodias do teu chão

dos korás, e bombolons

dos djembés e dos nhanheros

- os teus caminhos



Mulher da Guiné



corpo veludo sossego

musicado em sons de flauta

duas pequenas luas

explodindo na cara canseira

asseda os tormentos

caminha fêmea como a tua Guiné

a novos partos de sabura.



tony tcheka

praia de Varela
publicada por Obulum às 10:00 a 15/Mar/2006



Comentário


Um retrato característico da mulher guineense, numa mística de enumerações em que a natureza-mãe oferece todos os seus sabores para esboçar a escultura feminina da bela palmeira que no seu caminhar deixa aromas de nenúfares entre os caminhantes/espectadores da teatral vaidade e lampejos de loucura texturados pela arquitectura divina da perfeição.
Mulher, um dia "fole, cabaceira", outro dia "amendoinha, goiaba" ou, de vez em quando, "manga de faca" com o seu humor azedo e acre e tão deliciosa e suave na doçura do seu olhar e encantar fundindo ouros e pratas entre a cor da alma e do sorriso hilariante; entre o ébano do corpo esbelto e o silêncio da voz que encanta numa comunhão de musas e música, os vento convocam a korá e o bombolom para Djambadon no caminho da feira onde djidius e balobeiro cogitam a prosperidade da lavoura no arrozal da guineidade. Poesia fértil. Tchintchor em digressão!

Adão Quadé
Terça-feira, 21 de Março de 2006 21H44m

sábado, março 21, 2009

Alma Alada


Alma alada no transtejo
tempo afogado na bajulação de um beijo
o murmúrio das acácias inquietações do vento
história reescrita em versos estranhos

sincopando o fio da narração
com a navalha de pedra polida
em voz do desencanto

na solidão solene aceito o convite da deambulação
percorrendo a longa avenida deixo a poesia na estação
para marcar o anseio de uma velha paixão

na alameda do tejo
escrevo com a tinta da brisa
nas curvaturas lineares das ondas
o desejo de um beijo teu

almada
alma alada
no transtejo

na alameda do tejo
inscrevo o meu desejo

já não viajo lisboa
a tempo (e nunca de lá saí)
perco sempre o ferry-boat

o poeta é intemporal
e o teu amor vendaval

amanheço no porto da eternidade!


Adão Quadé
Almada, 02.10.06 03:30

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