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quarta-feira, agosto 01, 2018

Sextas Poéticas



Sextas de tabuada
de aritiméticas e de matemáticas
Sextas do ditado da redação da gramática
dos verbos  da história e da geografía
Sextas são sextas!

Sextas de festas
de fim-de-semanas de bebedeiras
Sextas de longa sestas, de namoradas, de amigos e companheiros
Sextas de homens sem mulheres
Sextas de mulheres sem homens
Sextas livres e de alegria - happy day  sexta-feira!
Sextas de pouco trabalho (até ao meio dia...)
sextas de folga,
Sextas de piquiniques, de mandjuandades, de manxidas,
Sextas de conta-mentira...

Sexta é sexta
Viva a festa!

Festejamos a sexta com poesia
Sexta de palavras em festa
Sexta de palavras mansas dóceis e melancólicas
Sexta de palavras tortas e confusas e ardentes
suspensas em versos desgrenhados com penteados difusos
ostentando a percepção da luz opaca do instante

Sexta de brincadeira com coisa séria
Sexta do distanciar do distrair-se e do deleitar
Sexta da pertença e da afirmação
Sexta do labor da colheita e de djambadon
Sexta de fundinho e dala
De  balur de homindadi bistido ku lope di djidiundade

Sexta é sempre sexta para quem não é vespa
Hasta la proxima siesta!

Adão Quadé
17. 12. 2016

domingo, março 21, 2010

Sempre...


Sempre foi assim amargo

língua de fogo ardendo

na babel

do meu pensamento


só agora é que reparei

constelas

como pirilampo

no firmamento


lembro-me do dia

da tua assunção


vem devagarinho

gota a gota

vem purificar a minha alma


01.06.06

A.Quadé

segunda-feira, dezembro 10, 2007

cântico magistral



não há maestro
na vida
sem perfumes



a luz da euforia
é tida
como estrume



a voz rítmica
do canto
erigida
em azedumes



o lume da palavra
condensa-se
em espada
sem gume



ergamos o rosto
e abracemos a madrugada
com suor da lavra


sem ciúmes
da magia do sol
renascente



a.quadé
07.09.07

segunda-feira, novembro 12, 2007

Advento

finalmente
chegou o advento

predito

nas folha mortas
pisadas

pelos calcanhares cavalgantes
do tempo

adormecido

o tempo submeteu
à ordem
do verbo

caminharei sim
hirto e de cabeça bem erguida
rumo ao horizonte

não abdicarei nunca
da dávida
ancestral

a tocha mágica resplandeceu
no firmamento
do meu pensamento

chegou a hora guiné mater mea
aceita no teu colo
as lamentações

do teu filho pródigo

um dia
desterrado
num choro abafado

pelo rufar do tambor
da iniciação

na alameda das iluminações
na madrugada de nevoeiros
serenando em rosas
lambi a nata da anunciação

(embreaguei-me
com cálice das premunições)

24.09.07
Adão Quadé