sábado, março 21, 2009

Alma Alada


Alma alada no transtejo
tempo afogado na bajulação de um beijo
o murmúrio das acácias inquietações do vento
história reescrita em versos estranhos

sincopando o fio da narração
com a navalha de pedra polida
em voz do desencanto

na solidão solene aceito o convite da deambulação
percorrendo a longa avenida deixo a poesia na estação
para marcar o anseio de uma velha paixão

na alameda do tejo
escrevo com a tinta da brisa
nas curvaturas lineares das ondas
o desejo de um beijo teu

almada
alma alada
no transtejo

na alameda do tejo
inscrevo o meu desejo

já não viajo lisboa
a tempo (e nunca de lá saí)
perco sempre o ferry-boat

o poeta é intemporal
e o teu amor vendaval

amanheço no porto da eternidade!


Adão Quadé
Almada, 02.10.06 03:30

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