sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Dizer a Guiné em três minutos

Sara Peres Dias

Data: 15/11/07

Feito com: Máquina fotográfica

estas são memórias ainda frescas de uma terra imensa, muito maior que tres minutos. aqui um mergulho pouco enxugado neste país de contrastes. um país com a força das ondas que nos fica na pele como o sal. depois de um banho de mar.



segunda-feira, dezembro 10, 2007

cântico magistral



não há maestro
na vida
sem perfumes



a luz da euforia
é tida
como estrume



a voz rítmica
do canto
erigida
em azedumes



o lume da palavra
condensa-se
em espada
sem gume



ergamos o rosto
e abracemos a madrugada
com suor da lavra


sem ciúmes
da magia do sol
renascente



a.quadé
07.09.07

Mbelembeletcho


balansa kaneka
palpitason
di lungha nobu

sangui meladu
kondjeladu
na garafa
du un beju bedju

badju di kumpo
kurpu na kotchidu
na pilon di kiriason

benson di flur di tautau
tataruga
na katembunda
mbelembeletcho!
07.12.07
Ndongle Akudeta

Rabata-rabata asumulele


salus di alma bafadu
rabata rabata silens
garan di suris
saran porta

gota di larma
pinga-pinga
mela-meladu

parmanhasedu
urbadju pegan kamaradia
korson mara lens

sintidu bai lumu
kudadi marka-makadu
muntu muntu
baratu-baratu

rabata-rabata
asumulele

Ndongle Akudeta
o2.12.o7

segunda-feira, novembro 12, 2007

Advento

finalmente
chegou o advento

predito

nas folha mortas
pisadas

pelos calcanhares cavalgantes
do tempo

adormecido

o tempo submeteu
à ordem
do verbo

caminharei sim
hirto e de cabeça bem erguida
rumo ao horizonte

não abdicarei nunca
da dávida
ancestral

a tocha mágica resplandeceu
no firmamento
do meu pensamento

chegou a hora guiné mater mea
aceita no teu colo
as lamentações

do teu filho pródigo

um dia
desterrado
num choro abafado

pelo rufar do tambor
da iniciação

na alameda das iluminações
na madrugada de nevoeiros
serenando em rosas
lambi a nata da anunciação

(embreaguei-me
com cálice das premunições)

24.09.07
Adão Quadé

terça-feira, julho 31, 2007

Kariem sila

Silêncio! Quero aqui chamar a atenção de todos, para a fruição conjunta do sabor poético engenhada na forja visceral do jovem guineense de 22 anos cujos versos as musas prometeram vigiar com doses de palavras encantatórias recheadas de sentimento sincero e da pátria desfraldade no distanciar e na força pujante da nostalgia.



Justificar a tua ausência

Sinday a única coisa que preciso
é do teu carinho
mas embora longe
não consigo deixar de te amar

Cada noite é um sonho
e cada dia é o começo
de um novo amor
só sei que um dia chamar-te-ei
e tu serás eternamente minha

Eternamente tu meu amor
o tempo somos nós,
tu acabas dentro de mim
e és tu o meu tesouro
a minha linda jóia africana

Não há passos divergentes
para quem quer encontrar
um verdadeiro amor
com o sabor de saber amar

O impossível seduz o meu coração
e a sedução só o tempo a definirá
e deixarei que ele também o devida.

quinta-feira, julho 19, 2007

Interregno

Tenho estado (do lado de) fora, longe de todas as manifestações qure têm marcado o panorama socio-cultural ou intelectual referente a temática do guiineense no que diz respeito ao ser e o seu pensamento como membro da comunidade existencial do universo em que fomos agraciado. Isso justifica-se por razões de ordem técnico-material. O que não quer dizer que não tenha meditado sobre a atmosfera sob o qual eu respiro. Pelo contrário, estou-me intensivamente implicado na arte de "agradar os irans",como diz o Félix Sigá...

A POESIA



A poesia
É como uma fantasia
A verdade de cada linha
Parece só minha,

A expressão é como uma ditadura
Cada um por si
Por mais que dura.
Chama-me Guineense,
Dá-me a liberdade,
Canta-me o gumbé,
E fala-me a verdade

A poesia é uma arma
Que sem temer mata a calma
E sem hesitar tira a alma
Como o relâmpago na árvore

A poesia é a expressão
Da força da emoção
Da liberdade de uma voz na solidão
E faz de mim um cidadão

A liberdade é a realidade,
A consciência é a pura verdade,
A pátria é uma mãe,
A poesia é a arma da injustiça
Aonde cada verso é uma esperança.

Kariem sila

quinta-feira, março 15, 2007

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Djiu sin nomi / ilhas sem nome



Djiu sin nomi

Nha udjus
Djiu sin nomi
Makare ku na ronka si forsa na mar
Maré salgadu
Sin bida

Nha udjus
Udjus sin nomi
Ku kapli pa bai punta
Kilis ku na findji ka sibi

Nha udjus – no udjus
Djiu sin nomi
Na kalabus di mons di dedus
E na sindi
E odja utru udjus
E ka fia osis semprenti
Ku karni larga
Ku na djimpini

Nha udjus
No udjus – udjus di tudu djinti
Djius sin nomi
Ku bida
Udjus ku na purfia


Ilhas sem nome

Meus olhos
Ilhas sem nome
Maré-alta a transbordar no oceano
Ondas salgadas que insuportam o acordar
Vazias de vida

Meus olhos
Olhos sem nome
Precipitam e atentam
Contra o impávido

Meus olhos – nossos olhos
Ilhas sem nome
Aprisionado pelas mãos pelos dedos
Soltam raios
Reconhecem outros olhos
E inacreditam esqueletos ousados
Abandonados pela carne
Espreitando

Meus olhos
Nossos olhos – todos os olhos
Ilhas sem nome
Ganharam um nome
Passaram a ser
Olhos-que-já-não-acreditam

Odete Costa Semedo, Ente o Ser e o Amar

sexta-feira, janeiro 05, 2007

E não te chamas Cristo



Tens o crucifixo de muitas chuvas
cravado na palma da mão
com que matizas a terra
em tempo de kebur

Tempo finado
tempo fincado no peito da dor
disputando a sobra do cuntango

Tempo enlutado
tempo anoitecido
no entardecer da esperança

Na curvatura
do tambor
onde expias o desespero
fizeram do teu corpo sepultura do medo

Negam-te o pedaço da tua tabanca
dão-te uma vida assalariada
taxam-te uns tantos por cento
para a sobrevivência autorizada

e não te chamas Cristo
e só pregas com o arado

Cantchungo, 1995
Tony Tcheka, Noite da Insónia na Terra Adormecida

segunda-feira, novembro 27, 2006

de repente



De repente vejo
a morte patenteada
na soleira da porta

caixa de correio

recheada de visões

e alucinações

ininterruptas

sou inabalavel

mente

insubmisso

perante sonhos


sou eternamente rejeitado

na esquina da rua

para além da vida


construo barcos

com o pó de sílabas

para a inauguração

da rota experimental

do acaso


já casei com o tempo

e não peço desculpa ao vento

pelo celibato

(isso sim no papel

concebido por interesses do notário)

não deixo impressões em material nenhum

vou-me embora aconchegado no manto da palavra

e exijo um funeral no pico dorsal do vento maestro

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HO Carvalho

27.11.06

00:29

quarta-feira, novembro 22, 2006

Parabéns

Djambadon está de parabéns

e todos os seus amigos bloggers e leitores

Um ano cheio de energia e inspiração

de liberdade de opinião e de Criatividade


Djambadon agradece aos que fizeram com que este espaço seja um veículo de entretenimento e de reflexão de expressão do laivo de sentimento nacional do que nos norteia no vasto leque linguístico-cultural guineense, fazendo pairar, na linha da interacção entre gerações, o ensejo de alicerçar uma sólida pedra para a reformulação dos traços identitários da literatura do saber guineense na sua dimensão pluricêntrica.
E o tantam mandou uma manga de mantenha para todos os filhos e amigos da Guiné! Anumbara!

O Editor

domingo, novembro 19, 2006

No findji segu tudu no totoli


No findji segu tudu no totoli
no na mopi padja seku pa leteti
pa ka manhoka puntanu kaminhu
Alanu sikidu na pidi simola na porta di igresia

Staka na sumiadu na tchon pa tapada
pintchadur di lenha na fugon sin brasa...
bixa di pis na markadu ku lata di sardinha
disna di ontordia pasadu di noti na taliu
anos tudu i kornabifi buluradu na pakoti di Pam
Kasabi di baka produzidu pa alimenta mundu

Anos i kasisa ku bin kumpanha tchur di Nghala
na kada banda ku tisidu na tear no mantenha tip iar
no na ndjita ku bingala pa tchiga NTULA
kontatchur ka topi silin ku fadi sineta
ninguin pa bai fera ka ten - rekadu maina
bumbulum rodja mukur
ai manganas na nha kankra manhoti djopoti!

Mininus panha apolo bas di sombra di polon
Aboplo kamba mar di Uno sin pera Unal
Manhoka tchiga ku bon kombersa di djiresa
Santchu disi di po ku si tudu tulesa
Segus di bardadi tchuli dedu kuma kaminhu i pali
kuma na sukuru ku udju di fonti ta iabri pa iagu gustus soronda

No pupa bibo
no karga alma ku ka bibu no sintanda na baranda
kikia kuma kuiiuu
pa disgrasia gasidjanta moransa ku matansa
no distindi stera di tchur no tchora no kasabi paki anos i kasisa
si dun di un udju kuma lungha kai sol tchon purmer ka no djusia
no ruma no mbludju no pui na skina di strada te pa oki kandonga intchi
No nkunha na tapada di sol no djunpini bisinhansa
ku udju regilidu no rapada

01.05.04 02:40

segunda-feira, novembro 06, 2006