sábado, dezembro 31, 2005
sexta-feira, dezembro 30, 2005
Djunda-djunda

na djunda-djunda
di sol ku lungha
n ka na mati la
si pintchadur di lenha
ka tem
anta nha boka ka sta la
ma suma bantaba
i na nha tapada
anta n djumna tchon
21.06.01
N.A.
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Ndongle Akudeta
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sexta-feira, dezembro 30, 2005
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Kabantada

ora ku mundu na bida kaba
ora ku tchon na bai iagu
oki djine na bai si nteru
n ka na mati la
n ka na mati laba dufuntu
n ka na mati kamba kaxon
n ka na mati karga djongagu
dia ku mundu na kaba
n na bai djuti suma djurto
na fiu di kabelu branku
di polon bedjoti
ku foga na baril di aos
na djitu di libra sarampu
na moransa sin erderu
n ba ta djamu ku un kuku di udju 
di n'ulidera di garasa di fadiga
tchur di noiba nobu ku ka saradu
(padas di ratadju ku ka tchiga
mundu di soda pa feti-feti)
sin panu di pinti na fundu mala
paqui si mortadja fadjaduba dja
aonti na toka-tchur di amanha
20.03.2001
Viseu?
Ndongle Akudeta 
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sexta-feira, dezembro 30, 2005
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Bejusa
té pa bedjusa na kasa
mindjor na mortu
sabura dja ta bim lakati
kosta ta gasta na katri
i sim o i ka sin satu?
frintanba ku kabra-di-matu
ku mediba tiu lubu na nobresa
na lebsimenti ta bin dal tapona
mangu birdi ku sutau na totona
bas di pe di sombra ku bu ta diskansa
dinti ta falsiau pa disinganal
tchiu tempu dja pardos
kil ku gustus-ba anta malgos
n' ka regua nha flur
ai... kal koldadi di dur!
B.leza.09.12.01
Ndongle Akudeta
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sexta-feira, dezembro 30, 2005
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Nha Nomi

feito
palimpsesto
para a reescrita
sem rascunhos
sou a tela
em que se esboça
todo um vasto teorema
sobre a arte
acima de tudo
sou saliente
como uma moldura
e de repente
com punhos e vela
sem protesto
constroem novelas
a encenar-se no marte
2003.29.29
Adão Quadé
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sexta-feira, dezembro 30, 2005
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oiço o teu palpitar
oiço o teu palpitar
a baloiçar na corda bamba
de uma promessa falhada
afogando o tempo no contratempo
o fio de prumo converge os pontos
em linhas curvas do desencontro
a luz do teu transpirar quente
revela a tortura de um gemido obscuro
rangendo as grades em mármores
feito de lama ebanal do teu peito sem jeito
água do copo entornado
nunca mata a sede ao corpo
mas o cântaro que vai a fonte
um dia até lá se encontra o amparo
A.Quade
30.08.2003
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quinta-feira, dezembro 29, 2005
Nha fala
À Lídia à beira do rio
*
Nha fala i un dus pasu
atlantiku na diapason
kuimbra neni bu tuada
na un kurpu kebra-kebradu
na un maranha di iran segu
bu sirbi tas na barkafon
di nha poetandadi
bustu di kabral na iari-iari
kuma tchon ka rakunsil
suma kobra ku na ramenda
djunki turpesa di mar
bu latchi bu tadju di palmera padida
malila bagana forsa
pubis taranta didia uan
bu serpentasku
teju ku na lagua
beju di maron di djiba
kur di bu djindjirba pe di ankol
katabentu di ermankono
na prantcha di sakor
nha sunhu i kil un son son
ma falan kuma
liti ku basa ka ta djunki
kabas di djamakosa
n sikidu na Pindjiguiti
n na panga foli
pa maskotia bu suris
na kalkanhada di pilikanu
pa bua sai nkanta mundu
ku bu garganti fonghol
na palku nha sunhu
alma-beafada
reinu di ndoli
Ndongle Akudeta
23.03.05 - 18:00
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quarta-feira, dezembro 28, 2005
O poeta não cala

Neste tamanco que não é meu
vou andando
que me dói o calo
neste fôlego poético
vou respirando
porque eu…
eu não me calo
“na fedi” ou “na sabura” [1]
apraz-me esta gala
o poeta não se cala
e nunca pode
nesta loucura
que deixa os fracos
inânimes e pasmados
o poeta tem algo a dizer sempre
mesmo sem palavras
mesmo se em voz timbre
ou se em folhas amarrotadas
Manuel pedro Pereira, Jr.
(DJOMBODIKILIN)
Moscovo, 02/12/2005
*
[1] “na fedi” ou “na sabura” – expressão crioula que significa - em tristeza ou em alegria
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terça-feira, dezembro 27, 2005
EM SIMPLES IDEIA NASCE GRANDES PROJECTOS
"Aqui vai o poema de que te falei.
é da autoria de um jovem a estudar no Brasil... é muito bom em escrever, agradecia q públicasse as obras dele no seu espaço.
Abraços"
Nelson Constantino Lopes, Obulum
Nasce o compromisso na via árdua
duma alvorada para ombrear o cansaço
e continuar démarche
até que nos olhos exaustos
nos corações afligidos
se apaga a fogueira da dor
que em vãos devaneios se faz do homem
semeador da quimera e não tanto
realista que o mundo já teve
deste furor, dias a fio
correndo as veias do tempo circundante
para que o futuro espreite melhores dias.
Da autoria: Avelino Gomes Costa
Brasília-DF, 15/12/05
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Guiné-Bissau Foto-reportagem
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segunda-feira, dezembro 26, 2005
Filinto de Barros e o Kikia Matcho
Filinto de Barros: acerto de contas com o passado?
por: Moema Perente Augel
Filinto de Barros afirma que seu romance Kikia matcho não passa de um pequeno exercício de ficção. Nem história, nem sociologia, nem etnologia, nem política, tão somente uma abordagem que se pretende dinâmica do processo de síntese sócio-cultural de um Povo (cf. Barros, 1998, p. 7).
O título é a designação crioula para o mocho e a essa ave são atribuídas na Guiné-Bissau propriedades diversas: pode ser mensageira do bem e do mal, mas sobretudo é ligada a maus presságios e à má sorte. Através do kikia e da sua simbologia, Filinto de Barros introduz o leitor e a leitora no mundo mágico e mítico africano ao mesmo tempo em que, pela interação das personagens, estabelece a ponte entre o passado e o presente.
Em seu conjunto, o livro Kikia matcho encerra uma soma de informações sobre o processo da independência e os primeiros passos de um Estado em formação. Essas informações são a razão de ser da obra, a estória constituindo apenas um pretexto. Ao mesmo tempo em que informa, ativo participante que foi da gestação e do momento desse parto, Filinto de Barros mobiliza os diferentes níveis da narrativa, direcionando-os tanto para o exercício dialético da compreensão do processo como para o julgamento dos seus resultados. Informação a nível do passado e interpretação a nível do presente, o romance deixa entrever sombrias perspectivas para o futuro. É sobretudo uma constatação dos acontecimentos contemporâneos com um olhar para o já acontecido, com o fito de esclarecer, explicar a situação atual do país.
O abandono sofrido pelos antigos combatentes da liberdade da pátria, cujo soldo não basta para um saco de arroz, é mostrado bem cruamente em Kikia matcho e seria um exemplo do desmascaramento intencionado pelo romancista Filinto de Barros.
Uma lembrança presente no coração do povo, que não faz parte da herança hegemônica, foi ainda evocada por Filinto de Barros que pôs a descoberto o fato do combatente morto ter perpetrado atos menos nobres, vergonhosos mesmos, não coadunando com a aura de heroismo que sempre envolve os "combatentes da liberdade da pátria". O autor ousou assim confessar o lado podre da gloriosa luta da libertação nacional, o abuso nunca mostrado às claras da utilização indevida das armas, evidenciando a perversão da "cultura da guerra", presente não só no campo inimigo. O processo de revirar ou reverter certas ambigüidades morais e factuais, cristalizadas em poderosos mitos patrióticos, faz parte da construção social da realidade, para usar a expressão divulgada a partir de Berger e Luckmann na Sociologia4. Ela é desmontada aqui e confrontada com uma outra visão, oposta e desafiadora.
Somente alguns poucos meses após a publicação desse romance, a 7 de junho de 1998, como já disse, eclodiu no país uma revolta no seio dos grupos dirigentes, entre representantes dos heróis da libertação transformando-se em guerra aberta e dolorosa que, depois de onze meses de sempre renovados conflitos armados, encontrou uma solução, que esperemos seja duradoura, a 7 de maio deste ano de 1999. Os presságios do Kikia Matcho ou os horrores acumulados em Mistida parece se terem confirmado. O sangrento embate entre fracções do exército nacional e contra o povo que conta entre os mais pobres do mundo, relança o questionamento sobre a legitimidade do regime tido como revolucionário, há quase trinta anos no poder, e sobre seus dirigentes, em grande parte os mesmos desde a independência. O legendário e carismático PAIGC está onipresente no romance de Filinto de Barros. Os donos do poder estão caricaturados até a desfiguração no romance Mistida, de Abdulai Sila. A revolta militar encabeçada pelo chefe do Estado Maior do Exército, General Assumane Mané, contra o governo dirigido pelo Presidente João Bernardo ("Nino") Vieira é expressão da crescente insatisfação e da decepção aqui tantas vezes já exteriorizadas, da parte dos antigos combatentes pela liberdade da pátria, compartilhadas pela grande maioria da população.
Esses recentes acontecimentos na Guiné-Bissau estão contribuindo para que o discurso oficial hegemônico se esvazie e perca a sua aura, reiterando de forma dramática a triste atualidade da urgência de uma reinterpretação da História, reflexão essa encetada pelos romancistas pioneiros Abdulai Sila e Filinto de Barros.
Considerações finais
Todos os escritores aqui referidos têm em comum uma tarefa de recuperação da africanidade e da dignidade perdidas, de procura e de afirmação da identidade nacional: tanto os afrobrasileiros como os guineenses, cada grupo a seu modo, cada autor com seu estilo próprio, com sua voz única e específica. Trata-se de uma literatura exortativa, sim, literatura engajada, literatura social, no seu sentido mais amplo, mas literatura exercício estético de beleza e busca do eu e do nós, mais profundo e mais verdadeiro, que têm a ver com raízes, umbigo, magma; literatura incitamento a um mergulho dentro de um passado doloroso e de difíceis lembranças, incitamento à empatia, ao sentir com, ao fazer com, incitamento à adesão, ao "concerto do djunta mon", de que fala o escritor guineense Tony Tcheka (1996:69).
O passado, tanto o passado bom como o passado infame, tem que continuar sendo relembrado como uma parte da identidade do africano assim como do afrobrasileiro. Embora consciente de que um número cada vez mais numeroso de afrodescendentes tenham hoje em dia alcançado um nível social e financeiro muito elevado e a franja dos bem sucedidos seja cada vez mais larga, no mesmo poema Cuti não deixa esquecer: Hoje é amanhã e ontem [...] / chicotes modernos não só relembram são chicotes/ que batem que rendem mais aos fundos senhoriais (Cuti, Resposta).
Cuti, que sempre, em todos os seus escritos, convida e incita à reflexão, admoesta: Quem disse [...] que é preciso calar a voz dos ancestrais? (ebd).
___________________________________
Bibliografia
Alves, Miriam, Momentos de busca. Poemas, São Paulo: Edição daAutora, 1983
Assmann, Aleida und Jahn, Christof Hardmeier (Org.), Schrift und Gedächtnis. Beiträge zur Archeologie der literarischen Kommunikation, München: Wilhelm Fink Verlag, 1983
Assmann, Jahn, Die Katastrophe des Vergessens, in: Assmann, A.e D. Harth (Org.), Mnemosyne. Formen und Funktionen der kulturellen Erinnerung, Frankfurt/M: Fischer Verlag, 1993, p. 339-347
Augel, Moema Parente (Org. e Intr.), Schwarze Poesie. Poesia Negra. Afrobrasilianische
O Autor
Filinto de Barros nasceu em Bissau a 28 de Dezembro de 1942. Fez estudos secundários no Colégio Nuno Álvares, em Tomar, e estudos superiores na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e no Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa. Depois da independência da Guiné-Bissau foi embaixador em Lisboa, entre 1978 e 1981. Na Guiné-Bissau exerceu vários cargos políticos, entre os quais ministro da Informação e Cultura (1981-1983), ministro dos Recursos Naturais e Indústria (1984-1992) e ministro das Finanças (1992-1994).
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segunda-feira, dezembro 26, 2005
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Mistida: Uma obra de ficcão guineense adaptada ao teatro
[GUINÉE-BISSAU] (Catió, 1958). Ingénieur électronicien. Cofondateur de la première maison d'édition privée Ku Si Mon et de la revue littéraire Tcholona, en 1994.
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segunda-feira, dezembro 26, 2005
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A prosa contemporânea na Guiné-Bissau
Conquistada a independência, as novas burguesias e as novas elites estatais africanas conseguiram estabelecer um sistema de conservação do poder que passou a funcionar a todo preço, baseado na repressão, no partido único e no governo do "homem forte". O resultado foi que em muitos países se instalou uma oligarquia corrompida, preocupada com o seu próprio enriquecimento e com as suas próprias vantagens, enquanto que o povo continuou nas mesmas dificuldades, lutando por uma sobrevivência material e moral, cada vez mais miserável. As esperanças existentes outrora, quando o fim da colonização, cada vez mais próximo e concreto, animava aos que lutavam pela libertação, acenando para um mundo de igualdade e justiça, foram substituídas pela frustração, pelo derrotismo e pelo acomodamento(1). Tal estado de espírito é comum a toda a África negra.

Na galeria de personagens de Abdulai Sila destaca-se, no seu terceiro e mais recente romance, intitulado Mistida, um desfile alucinante de figuras absurdas: Amambarka, Nham-Nham, Yem-Yem. Sobressai-se o aberrante e assustador Amambarka, parricida, ganancioso, viciado e execrável, cujos traços repugnantes foram hiperbolizados pelo romancista até a exaustão (cf. p. 87-96). Esse nome foi tirado da língua mandinga, sendo um lexema que tem conotação de coisa ruim, do que não presta. Nham-Nham, onomatopéia indicadora do ato de comer, é um ser repugnante e alienado, cego pelo poder, entorpecido pela bajulação, idiotizado mas perigoso, completamente dependente do diabólico Amambarka. Yem-Yem, o "carrasco", é outra figura intangível, enredado na busca da palavra esquecida (ibid., p. 161), aterrorizador das pessoas (ibid., p. 171).
Esses seres chocantes, porém, foram inspirados em pessoas reais, deformadas e caricaturadas, para os menos avisados impossíveis de serem reconhecidas mas nem por isso menos verdadeiras nem menos ameaçadoras, pois faz parte da arte de convencer lançar mão de recursos do horror. Os protagonistas de Mistida, aparentemente absurdas personagens, são verdadeiros atores da sociedade atual - e não só da Guiné-Bissau - e estão, cada um a seu modo, em busca de "estratégias individuais postas em jogo à procura de saídas e novos sentidos que permitam sobreviver à desestruturação", como disse Teresa Montenegro no prefácio. Mais uma vez, apesar dos horrores que enchem este seu terceiro livro, Sila lança sua mensagem de esperança, de teimosa esperança: existe uma perspectiva para seu sofrido país. Apesar dos montões de lixo, material ou humano, há as Mama Sabel, as Mbubi, as Ndani e as Djiba Mané, personagens femininas fortes e até certo ponto contraditórias, sumamente positivas, com as quais o autor se identifica e que personificam a comunidade subalterna, sem poder, mas vigilante e altiva.
Sila, Abdulai, Mistida, Bissau: KU SI MON Editora, 1997
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segunda-feira, dezembro 26, 2005
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A Guiné-Bissau e sua prosa ficcional
Na Guiné-Bissau, país de história recente em vias de grandes transformações sociais, a sua incipiente literatura reflete tanto esse jovem passado e os caminhos da emancipação como o estado emocional dos guineenses ante a decepção causada pelo que se considera a traição dos ideais revolucionários por parte dos dirigentes. A produção literária contemporânea faz eco, na sua variedade, aos anseios e às preocupações da elite intelectual urbana, inconformada com a situação política e social do momento presente. Assim, dada a quase inexistência de fontes escritas de informação, travar conhecimento com as obras que aí se estão produzindo desde a independência é uma das melhores maneiras de compreender e apreender este pequeno enclave de língua oficial portuguesa, de cerca de 36.000 km2, no meio da costa ocidental africana.
Com seus três romances (Eterna paixão, A última tragédia e Mistida), Abdulai Sila, que é o fundador da ficção guineense, não se restringe à simples constatação do desastre em que resultou a libertação do jugo colonialista, nem se detém apenas no desfiamento das mazelas que cobrem o povo guineense: vai procurar os responsáveis e os denuncia, direta ou indiretamente. Filinto de Barros, com seu único romance Kikia Matcho, desenvolve, a seu modo, paralelamente à trama romanesca, um amplo esquema de explicação para basear suas críticas e sua análise do momento por que passava seu país. Também ele levanta a voz e denuncia, põe o dedo nas feridas abertas pelos seus próprios correligionários1.
Os recentes acontecimentos na Guiné-Bissau, que culminaram com o desencadeamento da guerra fratricida que por mais de um ano (mais exatamente de 7 de junho de 1998 a 7 de maio de 1999) tumultuou e desarticulou o país, estão contribuindo para que o discurso oficial hegemônico se esvazie e perca a sua aura, reiterando de forma dramática a triste atualidade da urgência de uma reinterpretação da História guineense.
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segunda-feira, dezembro 26, 2005
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O Miguel sai do Benfica

O Miguel sai do Benfica
à Europa bem fica
e, é em África
que fica
gente do globo menos rica
o Miguel sai do Benfica
na hora bendita
e boca maldita
exige que ele fique. em crioulo “fika”
na Guiné
todos queremos ser dirigentes
todos somos politiquentes
p’ra mamar ou p’ra quê
em África
o campo está quente
suada está a testa da gente
correndo atrás da bola
que rola, bola, rebola, e carambola
não é finta, tudo é futrica
por isso sem malas, sem roupas
vão à procura das Europas
através do Marrocos
quem não sabe pode pensar que são malucos
quem não lembra do pobre Ali?
a união europeia
inventa epopéia
colocou-nos ali
veio armada em salvadora
e, mesmo assim no nosso mar furtivamente ancora
digo p’ra si - meu Deus
levantando olhos p’ra os ceus
e meus braços em prece
vivo a mercê e vou ao túmulo a mercê
que cérebro
ténebro
mesmo com livro
de tudo, de nada não livro
o Miguel sai do Benfica
mesmo com crítica
quem não arrisca
não petisca
Miguel
bai bali bu kabesa bai bali bu gintis
Manuel Pedro pereira, Jr.
(DJOMBODIKILIN)
Moscovo, 30/11/2005
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