Sábado, Março 21, 2009

Alma Alada


Alma alada no transtejo
tempo afogado na bajulação de um beijo
o murmúrio das acácias inquietações do vento
história reescrita em versos estranhos

sincopando o fio da narração
com a navalha de pedra polida
em voz do desencanto

na solidão solene aceito o convite da deambulação
percorrendo a longa avenida deixo a poesia na estação
para marcar o anseio de uma velha paixão

na alameda do tejo
escrevo com a tinta da brisa
nas curvaturas lineares das ondas
o desejo de um beijo teu

almada
alma alada
no transtejo

na alameda do tejo
inscrevo o meu desejo

já não viajo lisboa
a tempo (e nunca de lá saí)
perco sempre o ferry-boat

o poeta é intemporal
e o teu amor vendaval

amanheço no porto da eternidade!


Adão Quadé
Almada, 02.10.06 03:30

ouvir http://www.hi5.com/friend/video/displayViewVideo.do?videoId=3425668&ownerId=9874763

1 comentários:

Anónimo disse...

Figa canhota! Não te exageres com tanta armadura de palavras para encantar as musas do Tejo. Qualquer dia experimento atravessar o Tejo de Ferry-boat para contemplar a beleza desta paisagem aqui transcrita em som do vento com laivos de amor e desespero, de tentações e inquietudees com um temperamento melancólico tranquilizante na expectativa de trilhar as emaranhadas teias labirínticas do sonho transpostas à luz do real sincopado em ritmos de poesia transversal e transatlântica.No "Tejo" há sempre um "desejo". E o poeta sugeriu logo um "beijo" à amada, no outro lado do rio, em Almada onde voa (alada) alma.

Homem de Oliveira Carvalho