Terça-feira, Outubro 03, 2006

Imperfeição (Vicivs)



quem me beliscar as chagas
as minhas costas chicotear
o meu desconforto endireitar
e as turbulentas cócegas amansar
quem?

permanente
infecção
carente
de enfermeiro

no leito
da perfeição
manuseio
do ferreiro

experimentando em maço
amassando-me em pedaços
atrapalho o que faço em passos
e desfaço-me
no espaço

aclamo-vos ó hino clemente
libertando-me
deste meu ser cretino
cá tenho a correcta chibata
quem quer me chicotear
veementemente

Adão Quadé
Viseu, Sábado, 27.01.2001

2 comentários:

Anónimo disse...

N'ermons misti pa no papia sobre un kusa ki talbes i na intresa bos tchiu.
nha nomi I kariem sila i es i nha e-mail. Silaking@hotmail.co.uk
bo entra em contactu ku mi asin ki possivel,
obrigadu.

Anónimo disse...

Um desafio para a Critica do guineense. O poeta lastima a ausência de um corpo crítico "com infecção", ou seja, os “crónicados” na matéria de criação literária. Na falta de uma crítica dinâmica e efectiva com continuidade e espírito de promoção do saber a partir de leitura onde o papel do crítico seria antes de mais a mediação entre o autor e o público leitor através de facilitação deste na compreensão da obra abrindo com isso novos horizontes de leitura.
Mas isso na Guiné-Bissau, em toda a praça intelectual, escassas são as pessoas sensíveis a questão relacionada com transmissão de valores seja humana como cultural. São escassas pessoas com carácter aguçado e de disciplina intelectual capazes de animar o palco das manifestações socio-culturais que se tem vincado em Bissau desde Momentos Primeiros da Construção (que se estagnou num charco de eternidade e de cegueira temporal - virando-se para seu próprio umbigo) até a madrugada reveladora de poilão de Brá que despoletou uma novo consciência sobre a poesia guineense no seu todo quebrando tabus com novos hinos da dança dos deuses. Mas, infelizmente, ninguém (ou melhor alguém da moransa não) foi capaz de perceber esta mudança de atitude na evocação das divindades/musas que o tempo cultivou naturalmente nos finais da década de 90. Pensamos nisso!

Homem de Oliveira Carvalho