Terça-feira, Março 27, 2007

Jogo Amoroso


Quando te vi frustrante
no écran do meu peito

protestante

o ponto de fuga com fundos
em quadradinhos projecta
um corpo que balança
numa mística dança

balanta

o tum-tum do tambor coroa
o majestoso perfil de atleta
numa pista

deslizante

em que o teu gesto se levanta
acrobático em bambu
a declamar
a tua firmeza de onça

quando estás atrapalhada
sinto a tua garra a massajar
o fio da ignição
que dentro de mim
repousa

relaxante

e despoleta
o lobo vático
numa explosão de intemperança

estrela

posa bela
para este peito-objectiva
com aquele teu olhar

catita que encanta

cativante


13.04.04

Adão Quadé

2 comentários:

Ndongle Akudeta disse...

Um ritual de purificação onde se consagrada a Beleza pura (do corpo e da alma) entre flashes e música na procura da luz divina. Corpo metamorfoseando em ritmo do tambor místico fazendo entrar a bailarina em transe na emancipação do Vértice a partir de êxtase. A poesia, desta vez, em comunhão solene com a música, a dança e a imagem artística da beleza feminina sublimada. Ou melhor a sonoplastia poética coreografada pela visão fotográfica interior.

Homem de Oliveira Carvalho
15.01.07

Anónimo disse...

O poema sem título cujo incipit remete-nos a estado de inquietação visual do sujeito/observador que contempla interiormente a magia espectacular do objecto amoroso que, de qualquer modo, desfilava na passerelle imaginária do eu enunciante que se declara "protestante" perante a aparição angelical da figura original e singular captada de uma forma inesperada pela objectiva jornalística do sujeito/repórter.
Esta descoberta do objecto estranho alcança um tom artístico na medida em que o sujeito reclama a sua posse como sendo o dono, o autor, o artista, o revelado, o inspirado, o descobridor, o eremita que vai à montanha seguindo a voz do chamamento. E nesta caso o impulso artístico sobrepôs a qualquer esboço preconcebido ou premeditado do conhecimento da matéria da observação, muito embora fosse rotineiro o trabalho fotográfico do sujeito, mas que desta vez sentiu algo de frustrante captada pela sua câmara.

Há um segundo plano nesta focagem do sujeito:uma transferância do plano visual quase estático mas relâmpago para a uma teatralização do visual a partir das linhas de fuga projectados do olhar do artista para o fundo