
No descanso
não há descanso
Corpo inerte envolto em panos
Descanso eterno
Na casinhola do hospital
Braços que erguem funestos
Repousam sobre as cabeças
De lenços apertados
O desespero ordenha os olhos
Dos corpos que se dobram
Em trambolhão de homenagem
Na casinha onde os mortos descansam
Da Primeira Sinfonia Negra
Há um maestro sempre ausente – Morte
Ironia dó e aflição fatais
Inspiram o coro (in)convencional
Cada um invocando a própria mãe
Bombolons reclamam vida e recordam
Alma volúvel!
Entre partir e voltar
Maca improvisada ou caixão
No solo se abre a casinha definitiva
Animais e licores custeiam o funeral
Félix Sigá,
In Antologia Poética da Guiné-Bissau
Quarta-feira, Setembro 06, 2006
1ª sinfonia negra
Publicada por
A.Quade
em
Quarta-feira, Setembro 06, 2006
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