
Esperei ver-te assim como estiveste
esperei teu perfume para embebedar
este trémulo silvar de sobriedade
procurando o remédio para o calor
naquelas termas que valsava liberdade
Onde se banhava de sol ardente
Não resisti na verdade
à negrura com que enfeitavas sorridente
aquele virginal pau-carvão
esbranquiçado agora de tanto nevar
- afinal tu nasceste negra ai que pena!
Era morrer duas vezes e renascer
envolto nesta mão aconchegante
teu olhar até então guarda o segredo
nascente
de um sofrer angustiado
Sou feito estátua em cinzas
relvado do teu jardim
resvalado
pisa-me quando te apetecer
mas nunca deixe passar a primavera!
Procurei-te impaciente
perdi no vulto do teu penteado
afinal representavas a pureza
da candura de uma fatal ansiedade
No avalanche só a tua gengiva resistiu
ó ébano das ruínas de Kansala
ainda estás em pé e sedutora
dá consolo ao arqueólogo
semi-banto
teu chão ainda arde
debaixo dos meus pés
latejantes
teu sorriso de diamante
consumiu o marfim que enche
este favo de mel derramante
Sou o zangão a procura da colmeia
dá-me abrigo só para esta estação
neste teu olhar insuportável...
sorriso esplêndido sob ruínas intocável
26.05.2003
Homem de Oliveira Carvalho
sexta-feira, julho 14, 2006
Sorriso no escombro
Publicada por
A.Quade
à(s)
sexta-feira, julho 14, 2006
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