
Em Junho de 98 houve uma rotura no tecido socio-político e cultural. Não devemos nunca esquecer isso. Pois qualquer geração desabrocha-se no dealbar de uma rotura, marcando um novo ciclo no círculo cultural. Mesmo sendo embrionário, a sociedade não se deve alhear a este acontecimento.
Na madrugada de 7 de Junho, sem sombra de dúvida - a História julgará - nasceu em Thiés um movimento cultural cujos propósitos se eclipsaram no escombro dos bombardeamentos intensivos que pintaram a quadro artístico de Bissau. Tchuda Ntchama, Cícero Spencer, Benjamim da Siva, Úmaro Baldé, Adalberto da Costa, António da Costa, Ndongle Akudeta e os demais que participaram no monólogo da vaca desaparecida dos hangares que se constituíram em campo de refugiado de Thiés podem testemunhar este evento marcante na história da cultura guineense ( Eis o génese do Areth!).
Houve o germinar de um novo espírito, de uma nova visão, de um novo ângulo perspectivo na leitura dos fenómenos incestuosos que há décadas estancaram o percurso da mensagem geracional inscrito no diálogo ancestral na transmissão do saber a partir da Palavra, sinónimo do verbo no sentido da perpetuidade.
Este fenónome vai-se alargando até ao pós-guerra, culminando no apogeu de uma pléiade reclamando o renascimento cultural confessado à volta do Movimento Cultural Baloba de Djorson... Tomem a nota!
São estes poemas que, em Junho, quero revelerar de forma a dar expressividade aos trabalhos deixados - marcas e impressões - por estes jovens que "sob as cinzas da revolução reverbera a chama da paixão condimentada em vozes do sufoco na madrugada da metamorfose do verbo guilhotinado".
Adão Quadé
sexta-feira, junho 09, 2006
Geração de 98
Publicada por
A.Quade
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sexta-feira, junho 09, 2006
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