terça-feira, maio 16, 2006

Eu amo eternamente...o Norte


eu amo eternamente as brisas vindo do norte
descendo aplacadamente do cimo até ao infinito
pese embora na vida não tenha sorte
o meu coração tange o nhanheiro forte-
mente aclamando: ai o amor é bonito

de Bissau admiro tudo mas com loucura
o solo a semente a cultura de uma paixão longínqua
que até então perdura quase que em temor sem cura
semeei ao longo da avenida árvores dos amores

entre a mimese da sombra e a queda das folhas
um coração marcando com a tinta da morte
alma perpetuada na parede do vento no quadro da dança dos reflexos


eu passeante imprevisível colhi entre as folhas bailando no teatro do tempo
a memória do acaso o sexo do sol-pôr sorrindo o brilho de um olhar cândido
a embriaguez da lua pelo beijo da flor de lis a boiar entre os rios
num vaivém incessante onde ancoraram a nave do arco-íris


Homem de Oliveira Carvalho
Maio 2006

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