sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Recaída

(num bilhete de metro)


fracção
de um amor
consentido

miraflores
em chamas
holofotes
a focar
no fundo do abismo

repentino

o meu hino
composto
em dó e sol
transverte-se
em pedra e sal

o meu tórax escudo
em coiro
sintético

posto na chuva
se mirra qual conchas
e o miocárdio
se dilata em legiões

para defender o reino
gebado pelo som de um olhar
serpentino

no primeiro embate
senti qual quimera
uma luz redentora
a embevecer
a minha ostentação

a tua frescura
licor álcool destilado
a diluir
a minha resignação

a força
levada a forca

o homem
que é macho
só dá ao coração

do sofrer o tacho


26.05.0312:29
Adão Quadé

1 comentário:

Anónimo disse...

Parabéns por este fabuloso site, vê-se que é feito com carinho e imaginação. Estou embevecida com os belos poemas aqui apresentados.

Continuem a contribuir para engrandecimento e divulgação da nossa cultura.

Um abraço fraterno
Suzete