segunda-feira, março 21, 2011

Na quinta do poeta


Versos ordenhados
na quinta do poeta
nas gavetas prenhes
apascenta-se ovelhas


rebanho de casta negra

besta assexuada
acorrentada à gravata
numa caneta feita
estaca espera-se a morte
para se regenerar

está calor
por dentro da coberta
e as luzes apagadas
espera-se o sopro do vento
para resgatar o sangue
no tinteiro coagulado
no compasso da inquietação
respira-se um ar podre

na taça da ressurreição
poesia geme moribunda
no antro de um vulcão adormecido

thalasa morre o mar
e a cidade torna-se porto

não suporto este maremoto!
Adão Quadé
15.01.05
Lilison

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