quarta-feira, dezembro 07, 2005

Miragens















escuto o gemido manso das águas
a precipitar-se das encostas
uma mulher vestida a rigor
festeja o começo de um dia melhor

o frio acossando as pálpebras
estancado no átrio da madrugada
a tua sombra jactante
vulcaniza-se no repuxo

meu pensar lânguido
destorcido no patamar do apartar
sol a esfregar o calcanhar
na nuca da parede colorida -

taco galopante de um tiquetaquear
domando o tom da ânsia brotante
ofusco-me na galeria do pasmar
E esculpo no azulejo o arco da tua fala

onça abstida bêbeda do suor da ribeira
o teu reflexo ondulante no vespertino
ninho de falcão na torre do castelo

aconchego-me com o hino à ninfa cantadeira
pedra de raio refrescante a almofadar
o pó do calor derretendo nos bastidores







A. Quade
04.04.05- Saldanha Residence

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