sexta-feira, dezembro 23, 2005

Imitação noturna

nas profundezas
da alma
um mar morto

na mortalha
de um pensar
absorto

repousa stressante
um terramoto

no lençol prateado
de calor e sal

na massa cinzenta
da lama

na ternura
de um corpo anzol

corais
e tarrafes opõem-se
em entraves

não há travão
no porão

sonhar catapultado
em trovão

estrelas-do-mar
remedando âncoras
para estancar

o fluxo repudiante
das ondas camuflando
em ânforas

o sorriso das brisas
escaldantes

no conluio
da noite de lua cheia

Adão Quadé
02.06.05

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